sábado, 14 de maio de 2011

O homem que vejo em meus olhos não é o homem que vejo no espelho.



Os fatos que aqui ocorrem acontecem em minha cabeça, no ano das pedras tortas.

Sem explicação alguma, vi um homen escrevendo na areia, sem parar, sem nem mesmo respirar.

Como seria possivel tal feito? sendo ele um ser vivo? minha indagação estaria correta.

Até o ponto da vivacidade do homem! ele era um morto, um morto que tinha uma culpa.

Sua penintência era a escrevidão eterna, um pouco de escravo de suas frustrações e um pouco de escritor.

Para o pobre coitado não existia dia ou noite, sua sina era escrever o porque de sua vida miserável.

Fato esse que tirava as últimas gostas de seu sangue frio.

Sua caneta fluia com leveza e serenidade, o que não disfarçava os anos a fio.

De ángustia em ángustia, nada se terminava, a dor continuava mais e mais.

Ainda preso ou seu corpo pobre, o infeliz homen me intrigava,

Pois cada vez mais ele aumentava, tomava conta de toda minha cabeça.

Ao olhar no espelho, sempre avistava, aquele mesmo homem, escrevendo na areia.

Cabisbaixo e escritor. Sempre a mesma ordem.

Então em um momento de completo caos, balancei a cabeça com toda minha insanidade.

E ao olhar novamente, o morto havia sumido, dando lugar ao mundo.

Manoel Silva.

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